sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Os mistérios da água


A água tem memória e registra o que ocorre à sua volta, à semelhança dos seres humanos. Esta é a conclusão a que cientistas japoneses e russos chegaram após estudos com a água em diversas condições: sob a forma de gelo, pura, contaminada por esgotos ou mesmo quando presente a manifestações das emoções e sentimentos humanos.

O livro “A mensagem da água”, do pesquisador japonês Masaro Emoto, traz fotografias com o registro de como a água ‘reage’ tanto diante de fenômenos físicos como a poluição ambiental, como de emoções, casos do amor e do ódio. Os resultados da pesquisa foram confirmados por acadêmicos russos, como o cientista Iúri Rakhmanín, vice-presidente da Academia das Ciências Naturais: “A água é uma fonte de energia e armazena informação. Ela pulsa oxigênio e hidrogênio”, diz. O vídeo (com áudio em espanhol) Os segredos da água (clique no título para assistir), com cerca de uma hora de duração, apresenta depoimentos e experimentos sobre o tema.

Histórica e curiosamente, a ex-URSS (e atual Rússia) sempre esteve na vanguarda das investigações supra ou paranormais, muitas vezes desdenhadas -ou apenas temidas- pela Ciência convencional. Não por acaso, foram os russos que criaram a chamada fotografia Kirlian, pela qual é possível registrar os movimentos do campo bioeletromagnético dos seres vivos conhecido como aura.

Embora o mecanismo que demonstre como a água armazena informações ainda não esteja inteiramente explicado, a descoberta deverá contribuir para um avanço na compreensão do funcionamento de medicinas como a homeopatia e Florais de Bach. Na homeopatia, a matéria-prima original utilizada para a formulação do remédio é diluída (dinamizada) até não deixar traços; e nos Florais de Bach não há nenhum agente diluído, exceto a água exposta ao sereno da madrugada. Ambas medicinas são reconhecidas e recomendadas pela própria OMS – Organização Mundial da Saúde.

As imagens a seguir mostram cristais de gelo vistos sob as lentes de um microscópio. As legendas são auto-explicativas. As fotos revelam ainda outra curiosidade: quanto mais harmoniosas as formas assumidas pela água, maior sua semelhança com as células de uma colméia, o núcleo de formato hexagonal onde as abelhas depositam seu alimento (o mel) ou que serve de berço para as operárias do reino das flores. Há 300 milhões de anos, esta forma se mantém imutável.




Vídeos relacionados

Os segredos da água

Mensagem da água

Leituras recomendadas

"A mensagem da água" – Masaro Emoto

"A vida secreta das plantas" – Peter Tompkins e Christopher Bird

A vida das abelhas (clique no título para ler o texto integral, em espanhol) - Maurice Maeterlinck

sábado, 28 de julho de 2007

Grandes Seres Humanos


O blog Liberdade de Expressão e Cultura inaugura uma seção periódica, destinada a apresentar passagens da vida de homens e mulheres que marcaram o mundo. “Grandes Seres Humanos” trará relatos biográficos de pessoas de reconhecida estatura e integridade moral, intelectual e humana, cuja vida e obra sejam indissociáveis, influenciando beneficamente gerações ao longo dos tempos.

Rabia al-Adawiya

Considerada maior santa sufi [1] dentre as mulheres no Islã, Rabia al-Adawiya nasceu em data desconhecida, em berço humilde e, ainda menina, após a morte dos pais, foi capturada e vendida como escrava. Libertada por seu senhor, que reconheceu nela os sinais da santidade, estabeleceu-se em Basra (cidade do atual Iraque), onde granjeou fama como amiga de Deus [2] e pregadora. A data de sua morte é duvidosa. Supõe-se que tenha ocorrido em 752 da era Cristã (ou 135 da héjira muçulmana) ou em 801 d.C. (185 d.h.).

Atribui-se a Rabia, que levou vida de celibatária, a introdução do tema do Amor Divino no misticismo muçulmano. Acredita-se que sua tumba se encontre próxima de Jerusalém.

Os escritos de Rabia al-Adawiya, bem como sua devoção a Deus e alguns de seus diálogos, reportam também a outra grande mística da tradição cristã, Santa Teresa D’Ávila [3].

Passagens da vida de Rabia al-Adawiya

Na noite em que Rabia veio ao mundo, não havia nada na casa de seu pai, que era muito pobre. Nem mesmo uma gota de óleo para untar-lhe o umbigo, nem candeeiro, sequer um trapo para cobri-la. Seu pai já tinha três filhas e Rabia foi a quarta, por isso recebeu este nome.

“Vai até o vizinho e pede-lhe uma gota de óleo para poder acender o candeeiro”, disse a esposa.

Mas o homem havia feito o juramento de que jamais pediria nada a nenhum mortal. De modo que saiu e, nem bem apoiou a mão sobre a porta do vizinho, voltou.

“Não abriram a porta”, informou.

A pobre mulher começou a soluçar amargamente. Neste estado de ansiedade, o homem colocou a cabeça entre os joelhos e adormeceu. Sonhou que via o Profeta.

“Não sofras”, disse o Profeta no sonho. “A menina que acaba de chegar ao mundo é uma rainha entre as mulheres e será minha intercessora diante de 70 mil pessoas da comunidade. Amanhã”, continuou o Profeta, “vá a Isa-e Zadan, governador de Basra. Põe num pedaço de papel o que vou dizer-te: ‘Todas as noites me dedicas cem preces e quatrocentas nas sextas à noite. Ontem foi sexta-feira e me esqueceste. Como expiação, dá a este homem quatrocentos dinares [4] obtidos legalmente’.”

O pai de Rabia acordou e começou a chorar. Levantou-se, escreveu o que o Profeta havia dito e enviou a mensagem ao governador por intermédio de um portador.

“Dêem 2 mil dinares aos pobres”, ordenou o governador ao receber o bilhete, “em sinal de gratidão ao Senhor, que lembrou-Se de mim. Dêem também quatrocentos dinares a este homem e digam-lhe: ‘Desejo que venhas para que eu possa conhecer-te. Mas não me parece correto que um homem como tu se apresente diante de mim. Seria melhor que eu fosse à tua casa para esfregar meu rosto à soleira da tua entrada. De toda forma, juro por Deus, faz-me saber acerca de qualquer coisa que necessites’.”

O homem recebeu o dinheiro e comprou todo o necessário.

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Uma noite, Rabia estava orando em seu quarto quando o cansaço a invadiu e ela adormeceu. Seu sono era tão profundo que, quando uma farpa da esteira em que dormia entrou em seu olho, fazendo-a sangrar, ela não percebeu.

Então, um ladrão entrou e roubou seu chador (lenço). Quis sair, mas o caminho se fechou. Deixou cair o chador e partiu, com o caminho aberto. Voltou a pegar a prenda e o caminho voltou a fechar-se. Mais uma vez deixou cair o chador. Fez isso por sete vezes, até ouvir uma voz que vinha de um canto do quarto: “Homem, não te arrisques a tanto. Há muito tempo que ela se encomendou a Nós. Como poderia um ladrão ter a audácia de levar seu chador? Não te arrisques a tanto. Se um amigo adormece, outro Amigo está desperto e vigia.”

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Um dia, Rabia foi às montanhas. Rapidamente foi rodeada por uma manada de cervos, cabras, pássaros e asnos selvagens que a contemplavam. De repente, chegou Hasan de Basra, que, ao ver Rabia, dirigiu-se a ela. Assim que avistaram Hasan de Basra, os animais saíram correndo, deixando Rabia a sós. Isso entristeceu Hasan.

“Por que fogem de mim e se aproximam de ti com tanta docilidade?”, perguntou Hasan.

“O que comeste hoje?”, devolveu Rabia.

“Um pouco de cebola”.

“Comes a riqueza deles”, assinalou Rabia. “Como então não fugiriam de ti?”

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Numa primavera, Rabia entrou em seu quarto e colocou a cabeça para fora da janela. Sua serva então lhe disse: “Senhora, vem para fora para ver as belezas feitas pelo Criador”.

“Melhor seria que tu entrasses”, respondeu Rabia, “e viesses ver o Criador. A contemplação do Criador é o que me ocupa, de modo que não me interessa olhar o que Ele fez”.

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Um erudito de Basra visitou Rabia quando esta se encontrava doente. Sentado junto a seu leito, o homem se dedicou a falar mal do mundo.

“Amas demais o mundo”, comentou Rabia. “Se não o amasses tanto, não farias tanta menção a ele. É sempre o comprador quem critica a mercadoria. Se tivesses terminado com o mundo, não o mencionarias nem para bem nem para o mal. Não deixas de nomeá-lo porque, como diz o provérbio, quem ama algo o menciona com freqüência”.

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Quando chegou a hora de Rabia morrer, os que estavam em seu quarto saíram e fecharam a porta. Então, ouviram uma voz que dizia: “Oh, alma em paz, volta a teu Senhor, afortunada!” Passou um instante. Nem um som se escutou vindo da habitação. Abriram a porta e encontraram Rabia morta.

Depois de sua morte, foi vista em um sonho. Perguntaram-lhe: “Como foi teu encontro com Munkir e Nakir[5]?”. Ela respondeu: “Esses jovens se aproximaram de mim e me questionaram: 'Quem é teu Senhor?' Eu respondi: 'Ide e dizei a Deus: Com tantas milhares e milhares de criaturas, Tu não esqueceste a uma velha e frágil mulher. Como eu, então, que só a Ti tenho em todo o mundo, poderia ter-Te esquecido, para que me mandasses alguém para me perguntar ‘Quem é teu Senhor’?”

Orações de Rabia al-Adawiya

Oh, Deus, concede tudo aquilo que me deste de coisas mundanas aos Teus inimigos. E tudo aquilo que me concedeste no outro mundo, dá-o aos Teus amigos, pois estar Contigo me é suficiente.

Oh, Deus, se Te venero por medo do inferno, queima-me nele; e se te venero esperando o Paraíso, exclui-me dele. Mas se Te venero por Ti mesmo, não me negues Tua eterna beleza.

Oh, Deus, todo meu propósito e meu desejo neste mundo, acima de tudo, é lembrar de Ti. Assim como, no outro mundo, entre todas as coisas que virão, é encontrar a Ti. Isso é o que vem de minha parte. Faze o que seja da Tua vontade.

Leituras recomendadas

Memorial dos Santos – Melhor obra (hagiografia) existente sobre santos muçulmanos –ou ‘amigos de Deus’, como são chamados no Islã. Foi escrita pelo mestre sufi, poeta e também santo Fariddudine Attar (autor de um dos principais livros do esoterismo islâmico, “A Conferência dos Pássaros”, editora Cultrix).

“Memorial dos Santos” biografa 72 santos islâmicos, dentre os quais Rabia al-Adawiya, de onde foram extraídas as passagens mencionadas no Liberdade de Expressão e Cultura. Título da obra em espanhol: “72 Santos Sufis”, de Farid ud din Attar, editorial Hastinapura, impresso na Argentina.

Poemas de Rabia (em inglês).

Sufismo (resumo, em espanhol)

Dicionário breve de termos citados

[1] Sufis – Termo originário do árabe ‘suf’, ou lã, em português. Há várias versões sobre a origem dos sufis, mas há consenso entre as 'turuq' (plural de 'tariqa' ou 'irmandades', no islamismo esotérico) que o sufismo começa com o próprio profeta Muhammad (Maomé), que teria iniciado dois de seus companheiros no caminho do ‘coração’, Abu Bakr e Ali. A palavra sufi remeteria também a um grupo de pessoas piedosas e pobres, que, vestidas de lã, acompanhariam o profeta.

Entre os sinais que caracterizam os sufis estão: a dedicação e o amor a Deus, a obediência ao Alcorão, à shariah (Lei islâmica) e a permanente lembrança de Deus, que é expressa publicamente através do ritual místico conhecido como Zikr (recordação). Outros sinais são o desapego às coisas e riquezas do mundo material; e o amor e a caridade ao próximo. Em árabe, os sufis também são chamados de faquir (pobre), cujo plural é ‘fuqara’. Em persa, são conhecidos como dervixes (derwishs), palavra que também significa pobre.

Há várias fraternidades sufis. Dentre as mais conhecidas na atualidade estão: Naqshbandi, Qadiri, Iachulutia, Allawiya e Halveti-Jerrahi.

[2] Amigo de Deus – Eulialá (amigo de Allah). É como, no Islã, são chamadas as pessoas que vivem exclusivamente para (fazer a vontade de) Deus. A frase é oriunda do patriarca das três grandes religiões monoteístas, Abraão, que era conhecido como “amigo de Deus”.

[3] Dinar – Moeda persa.

[4] Trecho de um poema de Santa Tereza D’Ávila:

-Alma, o que queres de Mim?
-Deus meu, nada, além de ver-Te.
-E o que mais temes em ti?
-O que mais temo é perder-Te.

[5] Munkir e Nakir - Segunda a tradição islâmica, são os anjos que, após a morte, aproximam-se da alma da pessoa falecida e lhe perguntam: "Quem foi teu Senhor?". Se a pessoa responde que seu Senhor foi Deus e menciona o nome do profeta e religião que seguiu, será conduzida para um bom lugar, à espera do Dia do Juízo Final. Se foi uma pessoa que viveu sem Deus, de forma licenciosa e apenas para as coisas do mundo, será conduzida ao Inferno.

domingo, 22 de julho de 2007

Três poemas e pinturas de Ismael Nery


Confissão

Não quero ser Deus por orgulho.
Eu tenho esta grande diferença de Satã.
Quero ser Deus por necessidade, por vocação.
Não me conformo nem com o espaço nem com o tempo,
Nem com o limite de coisa alguma.
Tenho fome e sede de tudo,
Implacável
Crescente.
Talvez seja esta a minha diferença de Deus
que tem fome e sede de mim,
implacável,
crescente,
eterna
— De mim, que me desprezo e me acredito um nada.


Oração

Meus Deus, para que pusestes tantas almas num só corpo?
Neste corpo neutro que não representa nada do que sou,
Neste corpo que não me permite ser anjo nem demônio,
Neste corpo que gasta todas as minhas forças
Para tentar viver sem rídiculo tudo que sou.
— Já estou cansado de tantas transformações inúteis.

Não tenho sido na vida senão um grande ator sem vocação,
Ator desconhecido, sem palco, sem cenário e sem palmas.
— Não vedes, meu Deus, que assim me torno às vezes
irreconhecível a minha própria mulher e a meus filhos
a meus raros amigos e a mim mesmo?

— Ó Deus estranho e misterioso, que só agora compreendo!
Dai-me, como vós tendes, o poder de criar corpos para as minhas almas
Ou levai-me deste mundo, que já estou exausto.
Eu que fui feito à vossa imagem e semelhança.
Amém!
Poema para Ela

Acabaram-se os tempos.
Morreram as árvores e os homens,
Destruíram-se as casas,
Submergiram-se as montanhas.
Depois o mar desapareceu.
O mundo transformou-se numa enorme planície
Onde só existe areia e uma tristeza infinita.
Um anjo sobrevoa os destroços da terra,
Olhando a cólera de um Deus ofendido.
E encontrou nossos dois corpos fortemente enlaçados
Que a raiva do Senhor não quis destruir
Para a eterna lembrança do maior amor.
Ismael Nery - pintor, poeta e filósofo

Primeiro e maior pintor surrealista brasileiro, Ismael Nery (1900-1934) nasceu em Belém do Pará e morreu no Rio de Janeiro, onde viveu desde os nove anos. Entre 1915 e 1920, cursou no Rio a Escola Nacional de Belas Artes. Vai a Paris e conhece Pablo Picasso e Fernand Léger, retornando em 1921 ao Brasil. Neste ano, conhece e se torna melhor amigo do poeta Murilo Mendes, de quem seria mentor espiritual e intelectual.

Em 1927, em outra viagem à Europa, Nery trava contato com integrantes do movimento surrealista, dentre os quais Marc Chagall. A partir deste encontro, que marcaria definitivamente sua obra, aprofunda a visão onírica em seus quadros e desenhos, recebendo também influências de Giorgio de Chirico e outros artistas ligados ao surrealismo. Em 1934, morre precocemente, vitimado pela tuberculose.

Espiritualista e criador do movimento neocristão batizado como ‘essencialismo’, Nery foi enterrado vestindo o hábito dos adeptos de São Francisco de Assis, de quem era profundo devoto. Dele, o crítico Mário Pedrosa disse: “"Era idéia em tudo, bailarino, pintor, arquiteto, poeta e filósofo, moralista e reformador social. Foi um artista total. Daí ter vivido tudo em potencialidades".

Na poesia, Ismael Nery foi considerado um poeta bissexto (autor que escreve eventualmente), mas a qualidade de seus poemas valeu-lhe um lugar na “Antologia de Poetas Brasileiros Bissextos”, organizada por Manuel Bandeira em 1946.

Sites

Desenhos no MAC-USP

Quadros em leilão

Leituras

Recordações de Ismael Nery, de Murilo Mendes, Edusp

História da Arte

terça-feira, 17 de julho de 2007

Brasil é primeiro país da América Latina a ter obra sustentável certificada


O Brasil é o primeiro país da América Latina a ter um prédio ‘ecologicamente correto’, com selo verde reconhecido internacionalmente. A obra, do Banco Real ABN AMRO BANK, localiza-se na Granja Viana, no município de Cotia, na grande São Paulo e está em pleno funcionamento desde janeiro deste ano.

O edifício, de aproximadamente 600m2, conta com vários diferenciais ecológicos, como energia solar fotovoltaica para iluminação da área de auto-atendimento, equipamento para tratamento de esgoto (inclusive bacias sanitárias) e reuso das águas servidas; sistema de aproveitamento de água da chuva; telhado verde. Mais de 50 produtos –conhecidos como ecoprodutos-, que apresentam algum benefício capaz de classificá-los como “amigos do meio ambiente”, foram utilizados na obra, dentre eles tintas e massas corridas naturais sem insumos derivados de petróleo, tubulações sem PVC ou de material reciclado e resinas à base de óleo de mamona, para impermeabilização da fundação do prédio.

Além da excelência em tecnologias e materiais sustentáveis, a primeira construção sustentável do país recebeu há pouco mais de 15 dias uma certificação com validade internacional, conferida por uma entidade baseada nos Estados Unidos, que garante ao mercado o desempenho ambiental da obra.

Para explicar detalhes da obra e sua importância para o mercado da construção civil e para o meio ambiente, o blog Liberdade de Expressão e Cultura realiza uma entrevista inédita com o consultor Márcio Augusto Araújo, do IDHEA – Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica, responsável pela recomendação e orientação no uso de ecoprodutos e tecnologias sustentáveis no prédio do Banco Real.

Liberdade de Expressão e Cultura – O que é uma construção sustentável?

Marcio Augusto Araújo – É um sistema construtivo que planeja todas as intervenções, levando em conta o meio ambiente. Estas intervenções incluem estudos do local (como solo, clima, chuvas, umidade, orientação do sol), de forma a aproveitar o que a própria Natureza oferece.

Com estes dados, é feito o projeto e planejamento da obra, são definidas as melhores abordagens do ponto de vista ambiental, além dos materiais, soluções e tecnologias a serem aplicadas. Define-se também o gerenciamento da construção, de forma que não impacte antes, durante e depois de pronta. Uma construção sustentável segue as diretrizes do conceito de desenvolvimento sustentável, buscando atender as necessidades do usuário atual, preservar o meio ambiente e os recursos naturais e garantir qualidade de vida para as gerações futuras.

LEC – Qual a diferença entre uma casa ecológica e uma casa sustentável?

MAA - Ambas são construções amigas do meio ambiente. Mas há diferenças. Numa casa ecológica, a obra acontece na Natureza, com recursos locais. Usa-se, por exemplo, a terra local para confeccionar blocos (adobe); usa-se mão de obra local; muitas vezes a construção é de tipo intuitiva, sem um projeto preliminar, isto é, cria-se a arquitetura com o próprio processo construtivo, sem projetos e profissionais da área. Este é o caso das construções de terra no Mali (que são maravilhosas!), das habitações indígenas ou mesmo iglus, onde blocos de gelo são usados para construir as casas dos esquimós.

Já numa casa sustentável, a obra é um trabalho multidisciplinar, envolvendo conceitos de arquitetura e engenharia civil, química, antropologia, sociologia, medicina e até mesmo espiritualidade. É uma visão holística da casa como microcosmo (mundo) do indivíduo que a ocupa. Outro dado importante é que construções sustentáveis são urbanas, usam ecoprodutos e tecnologias fabricados em escala industrial, com controle de qualidade, atendendo às normas.
É muito mais importante, hoje, uma casa sustentável do que uma ecológica, pelo fato de que até 2027 mais de 70% da humanidade estarão em grandes cidades. É aí que se deve atuar com mais intensidade.

LEC – O que um edifício desses representa para o meio ambiente?

MAA – É uma verdadeira revolução, na medida em que, se este tipo de construção for adotada pelo mercado, levará indústrias e fornecedores a mudarem seu modo de produção, visando materiais e processos mais limpos. Todos ganharemos.

Os benefícios também abrangem os aspectos de economia e saúde. Quanto mais um prédio investe em sustentabilidade, mais econômico ele se torna em relação a manutenção e gastos com energia, água e saúde do usuário. Se você gera sua própria energia, isso reduz custos e impactos sobre o meio ambiente. Idem com relação à água. Veja algo simples, como coletar e aproveitar a água de chuva, que, numa cidade como São Paulo, em dias de tempestade vai causar enchentes. Com um sistema desses, você economiza no uso da água no edifício para fins não potáveis (Nota do Blog: não se pode beber, cozinhar, nem lavar roupas) e ainda ajuda a evitar enchentes.

LEC - O que uma construção deve fazer para ser considerada sustentável?
MAA - Ela deve funcionar como um organismo vivo. Ela precisa de alimento (água e energia), de saúde (qualidade do ar e do ambiente interno, temperatura, som etc.), de tratar ou eliminar os resíduos que gera, dentre outras funções, para poder ser saudável e feliz. Numa edificação acontece a mesma coisa. Há nove passos para isso, que são os seguintes:
1. Planejamento Sustentável da Obra
2. Aproveitamento passivo dos recursos naturais
3. Eficiência energética
4. Gestão e economia da água
5. Gestão dos resíduos na edificação
6. Qualidade do ar e do ambiente interior
7. Conforto termo-acústico
8. Uso racional de materiais de construção
9. Uso de ecoprodutos e tecnologias sustentáveis

LEC - O que o prédio tem de mais significativo, com relação a materiais e tecnologias?

M
AA - Absolutamente tudo. A obra foi construída de acordo com uma metodologia chamada ACV (Análise de Ciclo de Vida), usando ecoprodutos e tecnologias sustentáveis. Os materiais foram todos estudados, antes que se decidisse seu uso. Por exemplo, os blocos escolhidos para vedação (para fechar as paredes) foram do tipo cerâmico, pois, com eles, se conseguiria manter o edifício com a temperatura interior mais equilibrada, com menos gastos com sistemas de ar condicionado.

Eis uma lista: os tapumes usados na obra foram feitos com placas recicladas a partir de tubos de pasta de dentes; o cimento usado no concreto foi do tipo CPIII, que usa 70% de resíduo de siderurgia em sua composição, resultando em menor uso de matérias-primas virgens e emissão de CO2 (gás carbônico); a areia e a brita eram recicladas de entulho de demolição; os blocos cerâmicos contêm resíduos de celulose da indústria de papel; as placas cimentícias, usadas para fechamento interno de paredes, não têm amianto e têm fibras de PET (poliester extraído das garrafas de refrigerante); a massa corrida e a tinta são do tipo mineral, ou seja, não formam um plástico sobre a parede e permitem que a mesma 'respire', contribuindo para um ambiente interior saudável, sem contaminantes. A obra também contou com controle absoluto de solventes e substâncias tóxicas. Foi feito também um Telhado Verde (N.B.: Na foto acima, o consultor Márcio Araújo orienta a implantação do Telhado Verde), que é uma área de cobertura com vegetação plantada, que serve para climatizar naturalmente o prédio, além de filtrar a água de chuva (que é aproveitada nos vasos sanitários do prédio) e causar um efeito estético e de bem-estar para quem está no banco. Até o piso do estacionamento foi feito com lajotas recicladas.

Com relação a tecnologias, o banco tem energia solar para iluminação da área de auto-atendimento (é o primeiro uso deste gênero no Brasil); no subterrâneo da agência, está instalado um sistema que recolhe todas as águas usadas no prédio, as trata e as devolve em condição de reuso para regar plantas no jardim e lavar a área. As águas da chuva são coletadas em tubulações sem PVC (cuja produção e uso são nocivas ao meio ambiente) e utilizadas nas bacias de descarga dos vasos sanitários. O sistema de ar condicionado é um climatizador, que mantém a umidade relativa do ar segundo os parâmetros adequados para o ser humano (em torno de 60%, segundo a OMS), com ventilação constante do ambiente, com 100% de troca de ar. Todas as làmpadas são de baixo consumo, sem contar os LEDs, que são semicondutores, que iluminam os ambientes com vida útil de 100 mil horas. Na área de paisagismo, além do uso de vegetação do ecossistema local, foram usadas plantas que absorvem toxinas ambientais, utilizando pesquisas da própria Nasa.

Nunca se havia feito nada igual no Brasil. Nos EUA, que é de onde vem a certificação da obra, não existe nada semelhante.

LEC - Como o edifício sustentável pode melhorar a qualidade de vida dos usuários e moradores?

MAA - Em geral as pessoas não se dão conta, mas passamos 2/3 de nossas vidas dentro de algum tipo de edificação. Portanto, é fundamental criar ambientes saudáveis, sem poluentes que possam causar doenças. Isso é básico em obras sustentáveis. Há mesmo indicadores conhecidos como IAQ (Indoor Air Quality/ Qualidade do Ar Interno) ou IEQ (Indoor Environmental Quality/ Qualidade do Meio Ambiente Interno).

A casa é o nosso meio ambiente, enquanto estamos nela. Deve-se criar um ambiente isento da presença de poluentes diversos (como os COVs - compostos orgânicos voláteis), com umidade relativa do ar em torno de 60% (índice determinado pela OMS como ideal para o ser humano), de forma a criar, inclusive, uma proteção para o usuário ou morador em relação à toxicidade do ambiente externo, que é bastante elevada.

LEC - A obra ficou mais cara do que uma construção tradicional?

MAA - Sim. A obra chegou a custar 20% a 30% mais caro do que uma construção comum. Estes custos devem-se, principalmente, às tecnologias sustentáveis implementadas, como o sistema de ar condicionado (que na verdade é um climatizador de ambiente, com um consumo muito menor de energia, além de não desumidificar o ar); a iluminação da área de auto-atendimento por energia solar fotovoltaica; o sistema de tratamento de esgoto doméstico, com reuso das águas tratadas e o aproveitamento da água de chuva. No entanto, se houver um planejamento integrando todas as interfaces sustentáveis da obra desde o princípio, é possível chegar de 1% a 5% de diferencial a mais na obra ou mesmo empatar os custos.

LEC – A obra foi certificada. O que é um sistema de certificação para uma obra sustentável?

MAA – Grosso modo, é um “selo verde” para o prédio. Uma entidade documenta que o edifício tem uma série de características comprovando que ele agride menos o meio ambiente do que um prédio convencional, que é mais saudável e que, por isso, merece um destaque no mercado.

LEC - O Brasil tem uma certificação própria?

MAA - Não, ainda não tem. As empresas certificadoras no país são representantes do sistema norte-americano LEED (da sigla em inglês Liderança em Energia e Design Ambiental), que certificou o prédio do Banco Real. As grandes empresas estão montando uma versão brasileira do Green Building Council (Conselho da Construção Verde), mas, novamente, é um sistema que opera a partir de regras oriundas de países do hemisfério Norte, cuja realidade é muito diferente da nossa.

O maior problema deste sistema que certificou a obra é que ele contempla questões de energia, que é o maior problema das nações do hemisfério Norte, mas não do Brasil, que é um país tropical. No caso brasileiro, é tão importante ou mais contemplar obras que utilizem produtos sustentáveis, uma vez que, em países em desenvolvimento, as questões mais cruciais envolvem a necessidade de geração de empregos e desenvolvimento tecnológico, o que pode ser estimulado por uma demanda da indústria da construção civil por materiais diferenciados.

Sem uma construção sustentável que crie uma verdadeira cadeia, envolvendo fornecedores, fabricantes, prestadores de serviço -ou seja, sem unir todos os elos-, pouco se conseguirá de retorno efetivo para o meio ambiente. É importante estimular um novo mercado, de ecoprodutos e de fornecedores com consciência ambiental. Sem isso, corre-se o risco de trocar figurinhas e de apenas se fazer marketing.

LEC - Qual o melhor sistema de certificação para obras sustentáveis hoje?

MAA - É o australiano Green Star, do Gbcaus (Conselho da Construção Verde da Austrália). Seus parâmetros de avaliação se adequam a nações do hemisfério Sul –casos de Brasil e Austrália. Sua avaliação técnica é bastante profunda e engloba o todo da obra. No sistema norte-americano, praticamente só se contemplam questões de energia e qualidade do ar interior. Ora, se quiséssemos ter usado PVC ou outros materiais cuja produção ocasionam riscos à saúde e meio ambiente, poderíamos tê-lo feito, sem restrições. Se isso não foi feito, é porque, seguindo as recomendações do IDHEA, o Banco Real fincou pé em usar o máximo possível de ecoprodutos e tecnologias sustentáveis.

LEC - Os edifícios verdes são uma tendência no mercado imobiliário?

MAA - No mercado corporativo, os edifícios verdes estão se tornando uma tendência, inclusive porque o discurso ambiental está sendo incorporado pelas grandes empresas, que querem, a todo custo, mostrar que são "ecológicas" (ponha entre aspas, por favor). Hoje, o mercado mundial tem muito mais marketing do que realidade. Apenas economizar energia não resolve o problema da poluição da água, do ar, do solo, dos alimentos e da miséria de bilhões de seres humanos, à margem da economia planetária. Sem incluir uma visão sócio-ambiental, este tipo de construção sustentável corre o risco de se tornar algo para "inglês ver".

A construção civil tem obrigação de melhorar processos e estimular uma indústria de produtos sustentáveis, já que é um dos setores que mais consome matérias-primas e o terceiro maior emissor de CO2 à atmosfera. A produção de cimento sozinha corresponde a 10% de todas as emissões de CO2 do planeta. É absurdamente imenso!. Então, fico muito receoso quando vejo cimenteiras promovendo concursos de “construção sustentável”, sendo que o que elas deveriam fazer seria investir em processos limpos e em produtos que, por exemplo, façam seqüestro de carbono, como o cimento magnesiano que foi desenvolvido na Austrália.

De toda forma, no caso da obra do Banco Real ABN AMRO, posso afirmar que é a construção mais completa e sustentável já edificada no Brasil até hoje e, possivelmente, ainda o será por muito tempo.

LEC - Falamos muito de construções para o mercado corporativo, mas como ficam as construções residenciais sustentáveis?

MAA - Para mim, particularmente, estas obras são fundamentais para a sociedade. Não são as que vão dar mais dinheiro, mas são justamente as construções nas quais as pessoas que moram nas grandes cidades vão viver e ver que, realmente, é possível contribuir com o meio ambiente. E sem sair de casa (risos)!

Na mídia

Jornal "Folha de S. Paulo", edição de 8 de julho/2007 (primeira matéria a sair sobre a obra certificada). Links com acesso apenas para assinantes UOL:




Gbcaus (Green Building Council of Australia)

Defesa do meio ambiente

Greenpeace

Ecoprodutos

Biohaus

Gaiam Realgoods

Tecnologias Sustentáveis

ATA – Associação de Tecnologias Alternativas

Leituras recomendadas

"Agenda 21 para a construção sustentável" - ed. traduzida, escola Politécnica USP

"Arquitetura ecológica" - Ennio Cruz da Costa - editora Edgard Blücher Ltda.

"Eficiência energética na Arquitetura" - Roberto Lamberts, Luciano Dutra, Fernando O.R. Pereira, PW editores, SP

"El efecto de los iones" - Como la electricidad del aire rige la vida y la salud - Fred Soyka e Alan Edmonds, Edaf (Madri)

"Feng-shui - A ciência do paisagismo sagrado na China Antiga" - Ernest J. Eitel, Ground

"Guía de consumo sostenible" - Ma. Antonia García (coordenadora geral), Iberdrola (Espanha)

"La casa y oficina ecológicas - Una guía para construir y comprar hábitats saludables" - Gustavo Garzón, Martínez Roca (Colombia)

"Sustainable Sewerage" - Guidelines for community schemes - R. A. Reed, ITP (Inglaterra)
"Terra - O coração ainda bate (Guia de Conservação Ambiental)" - Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem - editora Tchê

"Una nueva ciencia de la vida" - Rupert Sheldrake, editorial Kairós (Barcelona)

quinta-feira, 12 de julho de 2007

O Oriente Médio e as não-armas para a Paz


No dia 12 de julho de 2006, há exatos 12 meses, iniciava-se uma nova guerra no Oriente Médio. Após um ataque na fronteira entre Israel e Líbano, provocado pela milícia libanesa xiita Hezbollah, Israel e o grupo islâmico começariam um conflito de mais de um mês, que terminaria com a morte de cerca de 1,2 mil libaneses, 200 israelenses e prejuízos da ordem de pelo menos US$ 2 bilhões para o Líbano. Ainda hoje, o Líbano se ressente dos efeitos da guerra e Israel vive períodos de instabilidade política, pela perda de credibilidade de seu primeiro-ministro, Ehud Olmert.

Um ano depois, pergunta-se: Quem ganhou a guerra? Os pró-israelenses dizem que Israel, já que o objetivo de afastar os milicianos xiitas de suas fronteiras foi alcançado. Os pró-Hezbollah afirmam que foi o grupo guerrilheiro, pois seu poderio continua intacto e cresceu no cenário político libanês, pela omissão do governo constituído daquele país durante a guerra e da adesão de setores antes avessos aos islâmicos.

Se há dúvidas sobre quem venceu a guerra, existe a certeza de que, outra vez, quem perdeu foi a região. Como também o mundo, envenenado por notícias diárias que espalham por toda a parte o ódio, inoculando no interior das pessoas o vírus do anti-semitismo, do terrorismo islâmico e do sionismo de tendência fascista.

Para o Oriente Médio e todos seus países, só há uma saída: a paz. Não a paz engendrada pelas grandes potências, que, como lobos em pele de cordeiro, articulam negociações que humilharão um dos lados. Não a paz dos grupos terroristas, que desejam a eliminação do Estado de Israel e a estigmatização de um povo que tantas contribuições deu e dá a toda a humanidade. Não a paz que segregue e humilhe os palestinos, confine-os em seu território dividido e ocupado, ou que entregue os povos árabes e islâmicos nas mãos de elites corruptas, que utilizam a religião como instrumento de manipulação das consciências.

Este tipo de paz resultará, no médio e longo prazos, em novos conflitos. Só há uma paz possível: a que leve ao desenvolvimento de uma cultura de solidariedade e convivência entre os povos no Oriente Médio.

Exército de Gandhis

A única solução para o Oriente Médio, ao invés do terrorismo e da luta armada, é a formação de um exército de Gandhis, com lideranças dispostas a atuar pela paz, preparadas e instruídas dentro de um espírito de não-violência. É mister que sejam líderes surdos às insinuações e provocações daqueles que propõem acordos incendiários, a retaliação, que jamais ficam satisfeitos com nenhuma solução e sempre querem mais. É imperativo que sejam líderes limpos, que amem mais à honra e ao semelhante, do que o dinheiro, os prazeres, as pompas e os encontros com chefes de Estado. É fundamental que sejam líderes que olhem para seus oponentes não como inimigos, mas como seres humanos; que entendam que palestinos e islâmicos não são animais, e que os israelenses não são monstros.

O surgimento de líderes com este espírito mudaria a correlação de forças na região, pela provável adesão de suas populações, fartas de lutas, guerras e ódio. Em sua essência, o islamismo é uma religião de paz (a etimologia da própria palavra significa 'Paz'); em sua essência, os israelenses são um povo de paz, culto e civilizado. Ambos, portanto, são povos abertos e pré-dispostos a reconhecer o outro e suas necessidades.

A ação da não-violência não representa passividade ou aceitação do erro alheio. Não significa, jamais, covardia, subserviência ao mais forte ou ir para o matadouro como um cordeiro trêmulo e sem reação. Gandhi ensinava: "A intenção daquele que pratica a não-violência nunca é embaraçar o adversário injusto. Ele não deseja suscitar-lhe o medo, mas alcançar-lhe o coração. A meta do não-violento é converter o mau, não o constranger". O Mahatma também dizia: "O princípio da não-violência em que acredito é uma força extremamente ativa. Não há nele qualquer lugar para a covardia nem para a fraqueza".

Um único homem, Mahatma Gandhi, foi capaz de conduzir milhões de seres humanos a superar o colonialismo britânico e alcançar a independência da Índia. Contudo, a semente da paz havia sido depositada dentro de Gandhi meio século antes, pela leitura das obras do pacifista norte-americano Henry David Thoreau, que pregava a desobediência civil contra as arbitrariedades do Estado em seu país. Posteriormente, o exemplo de Gandhi deu origem a outros grandes líderes, como Martin Luther King, que encabeçou a luta pelos direitos dos negros, nos EUA, e Nelson Mandela, na África do Sul.

Tanto Gandhi como Luther King foram mortos por extremistas inimigos da paz duradoura. Mas isso é o menos importante. O próprio sábio indiano conhecia os riscos a que estava exposto. Ele dizia: "Se encorajo de bom grado milhares de militantes a sacrificar a própria vida na luta não-violenta, isso não significa que eu não dê nenhum valor à vida. Sei apenas que, a longo prazo, daí resultará o menor número possível de vidas perdidas. Além do mais, é uma luta que enobrece aqueles que nela perdem a vida, e cujo sacrifício enriquece moralmente o mundo."

Frases de Gandhi

O princípio de não-violência em que acredito é uma força extremamente ativa. Não há nele qualquer lugar para a covardia nem para a fraqueza.

Não se impaciente com o fato de o método da não-violência parecer um processo extremamente lento. É, na verdade, o mais rápido por ser o mais seguro.

A força não diz respeito a uma capacidade física. Ela se baseia numa vontade indomável. É assim que um pequeno grupo de espíritos determinados, tomados por uma fé infinita em sua missão, pode mudar o curso da história.

Em nosso estado atual, meio homens, meio animais, nossa arrogante ignorância nos leva a pensar que concretizamos mesmo o projeto de nossa espécie pagando ofensa com ofensa, acumulando, portanto, o que é preciso de cólera para isso. Desejamos acreditar que as represálias são a lei de nossa espécie, quando todas as Escrituras indicam que as represálias nunca são obrigatórias, mas sim, quando muito, permitidas dentro de certas condições. A contenção, sim, é que é obrigatória.

Quando acatamos a não-violência, não devemos manifestar qualquer sentimento de cólera em relação á pessoa que nos causou algum mal. Não devemos desejar a ela nenhum mal, nem injuriá-la, menos ainda ataca-la fisicamente: devemos antes desejar-lhe uma sorte feliz e, em todo caso, suportar todo o malfeito que ela ainda pode nos causar. A não-violência implica uma total inocência.

Os maiores homens sempre foram solitários. Os grandes profetas, como Zoroastro, Buda, Jesus, Maomé, foram todos solitários. Mas, graças à fé em si mesmos e em seu Deus, graças à certeza de terem Deus ao lado deles, eles nunca se sentiram sozinhos.

Não pretendo ser um visionário. Vejo-me, antes de tudo, como um idealista prático.

Leituras recomendadas

"Princípios de Vida", Mahatma Gandhi, editora Nova Era

"Gandhi", de Louis Fischer"

A Desobediência Civil" e "Walden", de Henry David Thoreau

"Onde existe luz", Paramahansa Yogananda

"O Jardim dos Virtuosos - Volumes 1 e 2", coletâneas de frases e passagens da vida (hadiths) do profeta Muhammad, Sociedade Beneficente Muçulmana de São Paulo

"Tu e Eu", Martin Buber

"Entre a água e a selva", Albert Schweitzer

Filmes

"Gandhi", de Richard Attenborough (DVD disponível para compra e locação)

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Clique sobre o título para assistir. Nos dois primeiros, pode-se ouvir a voz do grande mestre.

Gandhi

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